Você já parou para pensar quantas histórias cabem dentro de uma Bíblia? Histórias de coragem, amizade, esperança, medo, escolhas, viagens, encontros e, principalmente, histórias de pessoas que descobriram que Deus estava caminhando com elas.
Por isso, todos os anos, durante o mês de setembro, a Igreja no Brasil dedica uma atenção especial à Bíblia. É o Mês da Bíblia, um período para conhecer melhor as Sagradas Escrituras, ler, rezar, estudar e descobrir como a Palavra de Deus pode iluminar também a nossa vida.
A história do Mês da Bíblia no Brasil começou em 1971, na Arquidiocese de Belo Horizonte (MG). Naquele ano, a arquidiocese celebrava seus 50 anos e acolheu uma proposta das Irmãs Paulinas, por meio do Serviço de Animação Bíblica, para dedicar um mês inteiro à Bíblia.
A experiência deu tão certo que foi sendo adotada por outras dioceses. Mais tarde, a CNBB assumiu a iniciativa e ela passou a alcançar todo o Brasil.
Mas por que setembro?
A escolha está relacionada à memória de São Jerônimo, celebrada em 30 de setembro. Jerônimo foi um grande estudioso das Escrituras e recebeu do Papa Dâmaso a missão de revisar e traduzir os textos bíblicos para o latim. Seu trabalho ficou conhecido como Vulgata.
Há ainda uma história anterior interessante: em 1947, a Primeira Semana Bíblica Brasileira já havia proposto, entre outras iniciativas, a celebração do Dia da Bíblia no último domingo de setembro, justamente pela proximidade com a memória de São Jerônimo.
Assim, setembro se tornou um convite especial para abrir a Bíblia e deixar que a Palavra de Deus também abra novos caminhos em nossa vida.
E qual é o tema do Mês da Bíblia 2026?
Neste ano, a Igreja no Brasil propõe o estudo do Livro de Daniel, tendo como lema: “Seu reino jamais será destruído” (Dn 7,14).
O Livro de Daniel apresenta personagens que enfrentam situações difíceis, pressões, injustiças e até ameaças por causa de sua fidelidade a Deus. Mesmo diante de impérios e poderes que parecem muito fortes, a mensagem do livro aponta para uma esperança: os poderes humanos passam, mas o Reino de Deus permanece.
Entre as histórias que aparecem no livro estão Daniel, Sidrac, Misac e Abdênago, jovens que procuram permanecer fiéis à sua fé mesmo quando isso não é fácil. Também encontramos a história de Susana, que apresenta uma forte reflexão sobre justiça, corrupção e abuso de poder.
São histórias que podem conversar muito com crianças e adolescentes de hoje. Afinal, também precisamos fazer escolhas, enfrentar desafios, defender aquilo que é justo e aprender a permanecer firmes naquilo em que acreditamos.
Você sabia?
A Bíblia não é um único livro escrito de uma só vez. Ela é uma coleção de livros, escritos em diferentes épocas, por diferentes autores e em diferentes contextos.
Na Bíblia Católica encontramos 73 livros: 46 no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento.
Outra curiosidade é que os textos bíblicos foram escritos originalmente em hebraico, aramaico e grego. A própria história da Bíblia é marcada por traduções e pela transmissão da Palavra através de diferentes povos e culturas.
E tem mais: a Bíblia foi escrita ao longo de muitos séculos. Não existe um único autor humano para todos os seus livros. São muitos autores, com diferentes estilos, experiências e formas de escrever. Na compreensão da Igreja, Deus é o autor da Sagrada Escritura, mas Ele se serviu de autores humanos, que escreveram utilizando suas próprias capacidades e linguagens.
A Bíblia e a Infância e Adolescência Missionária
Para a Infância e Adolescência Missionária, a Bíblia tem um lugar muito especial. A missão não começa apenas quando saímos para anunciar alguma coisa. Ela começa quando conhecemos Jesus, escutamos sua Palavra e procuramos colocá-la em prática.
A própria Garotada Missionária já nos recordou que a Palavra de Deus é uma das principais ferramentas dos pequenos evangelizadores. Ler a Bíblia ajuda crianças e adolescentes a conhecerem Jesus e a perceberem como sua mensagem pode transformar as escolhas, os relacionamentos e o jeito de olhar para o mundo. É por isso que uma criança missionária lê a Palavra de Deus.
Não precisamos esperar crescer para começar. Podemos ler uma pequena passagem, conversar sobre ela, fazer uma pergunta, rezar juntos e descobrir o que aquela história tem a dizer para nossa vida.
Jesus também é o centro da Sagrada Escritura. Como lembra a própria Garotada Missionária, conhecer profundamente a Palavra é parte importante do caminho de quem deseja ser discípulo e missionário.
Uma maneira muito bonita de viver o Mês da Bíblia é praticar a Lectio Divina, ou Leitura Orante da Palavra. A tradição apresentada pela Garotada Missionária organiza esse caminho em quatro passos:
1. Leitura: o que o texto está dizendo?
2. Meditação: o que Deus quer me dizer por meio dessa Palavra?
3. Oração: o que esse texto me faz dizer a Deus?
4. Contemplação: como posso olhar para minha vida com os olhos da fé?
Pode ser feito individualmente, em família ou durante o encontro da IAM. E não precisa ser complicado. Escolha uma passagem curta, leia com calma, faça silêncio e converse com Deus.
A missão da IAM é ajudar crianças e adolescentes a perceberem que também são protagonistas da missão e a Palavra de Deus nos ajuda justamente nisso: ela nos apresenta pessoas que tiveram coragem de responder ao chamado de Deus e transformar sua realidade.
Daniel e seus companheiros podem nos ensinar sobre fidelidade e coragem. Susana pode nos ajudar a refletir sobre justiça e verdade. Jesus nos ensina o caminho do amor, do serviço e da fraternidade. E tantas outras histórias bíblicas podem nos ajudar a compreender que Deus continua falando ao coração de cada pessoa.
Por isso, neste Mês da Bíblia, o convite é simples: abra a Bíblia, leia, escute, reze e viva a Palavra! Porque a Bíblia não foi feita apenas para ficar bonita na estante ou fechada dentro de uma gaveta. Ela é uma Palavra que deseja encontrar a nossa vida. E, quando a Palavra encontra um pequeno missionário, pode nascer uma grande missão.
De todas as crianças e adolescentes do mundo, sempre amigos!



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