Nossa diocese da Campanha, quase centenária, merece receber a “Pontifícia Obra da Infância Missionária”. Sabemos que o Espírito Santo, primeiro Evangelizador, já partiu na frente para preparar os corações.
Através desta Obra Pontifícia as crianças de nossa diocese poderão vislumbrar a vida e o amanhã com confiança, não deixando que ninguém possa sufocar nelas o impulso feliz da esperança.
Sabemos que as crianças aprendem muito cedo a conhecer a vida. Observam e imitam o modo de agir dos adultos. Apresentam rapidamente o amor e o respeito pelos outros, mas assimilam, com a mesma prontidão, o veneno da violência e do ódio. A experiência tida em família influenciará intensamente os comportamentos que assumirão quando adultos. Portanto, se a família é o primeiro lugar onde se abre para o mundo, ela deve ser para eles a primeira escola de paz.
Os pais têm a possibilidade extraordinária para abrir os filhos ao conhecimento deste grande valor: o Testamento do seu amor recíproco. É amando-se que eles permitem ao filho, já desde a primeira etapa da existência, crescer num ambiente de paz, imbuído daqueles elementos positivos que, por sua natureza, constituem o verdadeiro patrimônio familiar: estima e acolhimento recíproco, escuta, partilha, gratidão, digo gratuidade e perdão.
A criança partilha com os pais e os irmãos a experiência da vida e da esperança, vendo como se enfrentam, com humildade e coragem, as inevitáveis dificuldades, e respirando, em todas as circunstâncias, um clima de estima pelos outros e de respeito pelas opiniões diferentes das suas.
É, sobretudo em casa, no amor que os rodeia, que as crianças, ainda antes de qualquer palavra, devem experimentar o amor de Deus por eles e aprender que Ele quer a paz e a compressão recíproca entre todos os seres humanos, chamados a formar uma grande família. Tudo há de ser predisposto para que as crianças se tornem arautos da paz.
Afinal, as crianças não são um peso para a sociedade, não são instrumentos de lucro, nem simplesmente pessoas sem direitos; são membros preciosos da sociedade humana, cujas esperanças, expectativas e potencialidades encarnam.
Tenho certeza que em nossa diocese da Campanha, esta Obra Pontifícia crescerá em todas as regiões, cujo caminho é o próprio Jesus que nos oferece sua paz. Sabemos que a paz é dom de Deus; mas depende dos homens acolhê-lo para construírem um mundo de paz. E só o conseguirão, se tiverem a simplicidade do coração das crianças. Este é um dos aspectos mais profundos e paradoxais da revelação cristã: fazer-se criança, antes de ser uma exigência moral, é uma dimensão do mistério da Encarnação.
Que nós adultos cristãos e responsáveis, antes de ensinar algo às crianças, devemos aprender delas os caminhos de Deus: da sua capacidade de confiança, abandono, generosidade, perdão e amor, assim como elas, aprenderemos a invocá-lo, com a devida confiança, Aba, Pai, Paizinho!
Pe. Alexandre Costa Solaria, Assessor Diocesano da Infância Missionária
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