
Em cada movimento deve haver uma evolução. No início, o Bispo fundador, D. Carlos Forbin-Janson estava pensando somente nas crianças da China. Posteriormente, o movimento adquirirá uma dimensão universal. Ao longo destes 160 anos, a Infância Missionária espalhou-se por todas as regiões do mundo. Tudo isto acarreta uma adaptação. Sem dúvida, temos alguns projetos na China; contudo, em virtude dos diversos problemas históricos e políticos, eles não são tão numerosos como no passado. Em contrapartida, contamos com muitos outros projetos em inúmeras regiões do mundo. Outros eventos importantes foram o Concílio Ecumênico Vaticano II e as mudanças que se seguiram, entre elas, a diminuição do número de irmãs religiosas nas escolas católicas. Desta forma, perdeu-se um pouco o interesse pela Infância Missionária, que era vigoroso precisamente no âmbito das escolas
2. Por que, em determinados ambientes eclesiásticos, a Infância Missionária não é muito conhecida?
Um problema que notei, primeiro ao longo dos meus anos como Diretor Nacional no Equador e, agora, como Secretário-Geral, é que existem sacerdotes e Bispos que não receberam uma formação missionária ad gentes. Eles seguiram cursos de dogmática, de espiritualidade, de moral, etc., mas sem qualquer referência à realidade missionária da Igreja. Se tivessem estudado esta realidade da Igreja, conheceriam o grande protagonismo da Infância Missionária, prestando uma ajuda moral e econômica a inúmeras crianças, nestes 160 anos de existência. Encontro-me com sacerdotes, na África, por exemplo, que estão conscientes de ser presbíteros porque, desde o princípio, desde a escola primária, receberam uma certa ajuda, primeiro da parte da Infância Missionária e em seguida, no seminário, da parte da Obra de São Pedro Apóstolo. Contudo, ao mesmo tempo, também encontro outros presbíteros que nem sabem que foram beneficiados por esta ajuda. Por isso, para mim, trata-se de uma questão de formação. Temos de continuar a insistir para que, em todas as regiões do mundo, nos nossos seminários, se ensine a missiologia. A missão é uma tarefa que compete a todos.
Na minha opinião, em cada geração manifestam-se novas tendências, e as crianças são influenciadas por elas. Nos nossos tempos modernos, nem sempre é fácil falar com as crianças, especialmente no mundo ocidental. Este ambiente, às vezes, é pós-cristão. Todavia, mesmo em tais casos, se apresenta uma mensagem positiva, uma mensagem que sensibiliza os corações, as crianças respondem. Acho que devemos ser maduros e ver a espiritualidade da criança de hoje dentro do contexto da secularização e de todas as outras grandes mudanças destes tempos. Devemos ajudar a criança a ver a realidade do seu mundo moderno, mas sempre, por sua vez, apresentando-lhe o compromisso fundamental com Jesus Cristo.
Depende, como sempre, de cada país, mas em geral as crianças começam a percorrer seu caminho na Infância Missionária com cinco anos de idade, e ali continuam até completar 14 anos. Repito, poderá haver diferenças, em conformidade com os vários países. O que acontece, em seguida? Esta é uma boa pergunta, porque é precisamente esta idade que constitui um período difícil para o adolescente que, física e psicologicamente, passa por mudanças. Na América Latina temos um movimento chamado “Jovens sem Fronteiras” (Juventude Missionária). Além disso, contamos com a “Pré-Adolescência Missionária” (Adolescência Missionária). Através dela, trabalhamos vigorosamente com adolescentes de
Sim, mas ao mesmo tempo existe uma organização que é básica. As pessoas que querem trabalhar com a Infância Missionária devem adaptar-se a uma determinada filosofia de vida que temos em virtude da experiência adquirida desde o período de D. Carlos Forbin-Janson até hoje, mas obviamente deixamos uma certa liberdade a cada país, a cada diocese e a cada grupo. Normalmente, em um determinado país, pede-se que cada diocese siga um estilo análogo. De vez em quando, aqui no Secretariado Internacional recordamos às Direções Nacionais alguns elementos característicos da Infância Missionária, como por exemplo, o fato de que a própria Infância Missionária é claramente uma missão ad gentes. Existem muitos grupos que procuram realizar boas obras no seu próprio país, mas sem fazer qualquer referência à missão universal. Nós, pelo contrário, devemos estar sempre orientados para a dimensão missionária ad gentes da nossa Igreja.
Em primeiro lugar, devo dizer que, pelo que pude constatar durante minhas viagens, a Infância Missionária está crescendo em todas as regiões do mundo. Em todos os países verifica-se um esforço extraordinário, em vista de fazer com que as crianças conheçam e vivam a Infância Missionária. Nos últimos cinco anos, nossa filosofia consiste em insistir no estabelecimento da Infância Missionária com nossos Diretores Nacionais, tendo sempre em conta a situação local, mas falando sem timidez sobre a necessidade de compartilhar todas as potencialidades que oferece a Infância Missionária. Recentemente, viajei com maior frequência à Ásia, porque essa é a região do mundo que eu menos conhecia. Graças a Deus, em países como o Sri Lanka, a Indonésia, a Índia e a Tailândia, observei um grande progresso na animação missionária das crianças. Registra-se um progresso análogo também em outros países, como a Coréia, que contudo ainda não pude visitar. Por isso, não acho que a Infância Missionária seja frágil em tais regiões, mas é claro que esperamos um crescimento ainda maior em todo o continente asiático.
FONTE: www.vatican.va
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