215 milhões de crianças, em todo o mundo, transcorrem sua infância trabalhando. Destas, quase metade corre riscos de se ferir gravemente ou mesmo de morrer no desempenho de tarefas perigosas.A informação está contida num relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), fazendo uma autocrítica e exigindo medidas mais enérgicas para que "as formas mais graves de trabalho infantil sejam eliminadas" até 2016.
É na região da Ásia-Pacífico onde mais crianças trabalham: 113,6 milhões. No entanto, na América Latina e no Caribe, a tendência tem sido a de um decréscimo na exploração da mão-de-obra infantil. O mesmo não ocorre na África localizada a sul do Saara, onde se registrou um aumento o fenômeno, tantos em números relativos quanto em números e absolutos.
Na região equatorial do continente africano, uma a cada quatro crianças trabalha. No Mali, por exemplo, metade das crianças estão sujeitas a tarefas "profissionais".
É nas atividades agrícolas que predomina o recurso ao trabalho infantil, confirma o relatório da OIT. Essa realidade corresponde a 60% dos casos detectados em todo o mundo. A maior parte dessas crianças trabalha para a família, devido à situação de pobreza em que esta vive.
"Temos de ir ao encontro das formas escondidas do trabalho infantil" – alerta a OIT, confirmando que muitas dessas situações "estão enraizadas na pobreza".
Apenas uma a cada cinco crianças que trabalham, é paga pelo que faz, no caso da agricultura. Os serviços também exploram essa mão-de-obra em 25,6% dos casos. Segue-se a indústria (7%).
Segundo o relatório, a crise econômica mundial está contribuindo para que o trabalho infantil não decresça em ritmo mais acelerado, sobretudo, nas formas mais pesadas.
Todavia, de acordo com o diretor-geral da OIT, "a desaceleração econômica não pode ser uma desculpa". Muitas das crianças visadas no relatório trabalham à noite, em condições insalubres, expostas a produtos químicos, em alturas perigosas, debaixo de terra ou da água e sujeitas a maus-tratos.
Fonte: Rádio Vaticano - 10/05/2010
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