Você já imaginou como seria a vida se não pudesse ler uma história, escrever seu próprio nome, entender uma placa, mandar uma mensagem ou descobrir algo novo em um livro? Para milhões de crianças, adolescentes e adultos em todo o mundo, aprender a ler e escrever ainda é um desafio. Por isso, todos os anos, no dia 8 de setembro, celebramos o Dia Mundial da Alfabetização - uma data que nos lembra que aprender é um direito de todas as pessoas.
A alfabetização não significa apenas juntar letras e formar palavras. É uma porta para o conhecimento, para a participação na sociedade, para a autonomia e para a realização de sonhos.
O Dia Mundial da Alfabetização foi instituído pela UNESCO em 1967, um ano depois de a ONU e a própria UNESCO criarem a data, em 1966, para chamar a atenção do mundo para os desafios relacionados ao analfabetismo. Mais de meio século depois, muitos avanços aconteceram, mas ainda existem grandes desafios.
Segundo os dados mais recentes da UNESCO, pelo menos 739 milhões de jovens e adultos no mundo não possuem habilidades básicas de alfabetização. Além disso, aproximadamente 4 em cada 10 crianças não alcançam o nível mínimo de aprendizagem em leitura.
E existe outro desafio enorme: 273 milhões de crianças e jovens estavam fora da escola em 2024. Desse total, 79 milhões estavam em idade correspondente ao ensino fundamental, 64 milhões ao ensino secundário inferior e 130 milhões ao secundário superior.
Isso significa que, para milhões de crianças, o direito de aprender ainda não está garantido.
E como está o Brasil?
O Brasil também avançou, mas ainda enfrenta desigualdades importantes. De acordo com o IBGE, a taxa de analfabetismo entre as pessoas com 15 anos ou mais caiu para 4,9% em 2025, contra 5,3% em 2024.
Quando olhamos para as crianças, os números mostram avanços na alfabetização. O Indicador Criança Alfabetizada, desenvolvido pelo Inep, acompanha o percentual de estudantes que, ao final do 2º ano do Ensino Fundamental, alcançam o padrão nacional de alfabetização.
Em 2023, esse percentual era de 56%. Em 2024, passou para 59% e, em 2025, chegou a 66%, superando a meta nacional de 64% estabelecida para aquele ano. A meta é ultrapassar 80% até 2030.
São boas notícias, mas também um lembrete de que ainda há muitas crianças que precisam de apoio para aprender a ler e escrever com qualidade. No Brasil, a escolarização das crianças de 6 a 14 anos chegou a 99,5% em 2024, segundo o IBGE. Mais de 26 milhões de estudantes nessa faixa etária estavam no sistema educacional.
Mas estar matriculado não significa necessariamente aprender tudo aquilo que é necessário. É preciso garantir escolas de qualidade, professores valorizados, materiais adequados, bibliotecas, espaços de leitura e condições para que cada criança possa aprender. E também precisamos olhar para aqueles que ainda estão fora da escola ou enfrentam maiores dificuldades.
Quando uma criança aprende a ler, ela não aprende apenas palavras, ela pode conhecer outros povos, viajar por diferentes lugares, descobrir histórias, compreender seus direitos, expressar seus sentimentos, fazer perguntas e construir suas próprias ideias.
A Infância e Adolescência Missionária (IAM) acredita que crianças e adolescentes são protagonistas da missão. Para anunciar, conhecer outras culturas, rezar pelas crianças do mundo e participar da construção de uma sociedade mais justa, é fundamental ter acesso à educação.
Uma criança missionária é também uma criança que aprende, pergunta, lê, escuta, compartilha e conhece diferentes realidades. A leitura permite conhecer histórias de crianças de outros continentes e compreender que, embora vivamos em lugares diferentes, temos muitos sonhos e direitos em comum. Por isso, quando uma criança da IAM pega um livro para ler, ela também pode estar fazendo um pequeno gesto missionário: abrindo os olhos para conhecer o mundo e o coração para cuidar dele.
Neste Dia Mundial da Alfabetização, podemos fazer algo muito simples: ler juntos. Que tal escolher um livro e ler com alguém? Pode ser uma história da Bíblia, um livro infantil, uma história sobre outro país, um conto popular ou simplesmente aquele livro que está esperando há algum tempo na estante.
Também podemos ajudar a construir uma cultura em que todas as crianças tenham acesso aos livros, à escola e às oportunidades de aprender. Porque a educação transforma vidas e uma criança que aprende pode ajudar a transformar o mundo.
Neste 8 de setembro, Dia Mundial da Alfabetização, a Garotada Missionária convida todas as crianças e adolescentes a abrirem um livro, descobrirem uma nova história e ajudarem a construir um mundo onde ninguém fique para trás.



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