
No dia 12 de outubro, celebramos Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, e também o Dia das Crianças. Para a Infância e Adolescência Missionária (IAM), essa é uma oportunidade especial para agradecer pelo dom da vida, recordar os direitos de cada criança e renovar nosso compromisso de construir um mundo onde todas possam crescer com amor, dignidade, segurança e esperança.
Você sabia que duas celebrações muito importantes acontecem no mesmo dia? Em 12 de outubro, o Brasil se reúne para celebrar Nossa Senhora Aparecida, a Mãe de Jesus e Padroeira do nosso país. Também é o Dia das Crianças, uma data que nos convida a celebrar a infância, a alegria de viver, as brincadeiras, as amizades e os sonhos de meninas e meninos. Essas duas celebrações nos ajudam a lembrar de algo muito importante: toda criança é preciosa e merece ser amada, respeitada e protegida!
Nossa Senhora nos recorda o cuidado de uma mãe que acompanha, acolhe e intercede por seus filhos. Já o Dia das Crianças nos convida a olhar com carinho para a realidade de meninas e meninos, reconhecendo que todas as crianças têm direito a uma vida digna, independentemente do lugar onde nasceram ou das condições em que vivem.
Para nós, da Infância e Adolescência Missionária, essa data também é um convite para olhar além da nossa própria realidade e lembrar das crianças que vivem em diferentes partes do Brasil e do mundo.
Nossa Senhora Aparecida: a Mãe que nos acolhe
A história de Nossa Senhora Aparecida começou em outubro de 1717, quando três pescadores encontraram uma imagem de Nossa Senhora da Conceição nas águas do rio Paraíba do Sul, na região onde hoje fica o município de Aparecida, em São Paulo.
Depois de encontrarem a imagem, os pescadores conseguiram uma quantidade abundante de peixes. A notícia se espalhou, e a devoção àquela pequena imagem foi crescendo, reunindo pessoas que buscavam fé, consolo e esperança.
Com o passar dos anos, Nossa Senhora Aparecida tornou-se um dos maiores símbolos da fé católica no Brasil. Em 1930, foi proclamada Padroeira do país.
Sua imagem, de cor escura, também nos recorda a importância de reconhecer a dignidade de todas as pessoas, especialmente daqueles que enfrentam preconceito, exclusão e sofrimento.
Maria foi a mãe que cuidou de Jesus desde sua infância. Com seu amor, sua coragem e sua confiança em Deus, ela nos inspira a cuidar uns dos outros e a permanecer atentos às necessidades de quem mais precisa.
Por isso, podemos confiar a Nossa Senhora Aparecida todas as crianças e adolescentes: os que estão perto de nós e aqueles que vivem longe, os que têm uma família que os acolhe e os que precisam de proteção, os que podem brincar e estudar e os que ainda não têm seus direitos garantidos.
Crianças do Brasil: muitas conquistas, muitos desafios
O Brasil tem milhões de crianças e adolescentes cheios de sonhos, talentos e possibilidades. Entretanto, nem todos vivem a infância com as mesmas oportunidades.
De acordo com um estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), em 2023, cerca de 28,8 milhões de crianças e adolescentes brasileiros de 0 a 17 anos viviam em situação de pobreza. Isso significa que enfrentavam privações em diferentes áreas da vida, como renda, educação, moradia, acesso à água, saneamento, informação e proteção contra o trabalho infantil.
O estudo também identificou que, em 2023, aproximadamente 38% das crianças e adolescentes estavam privados de acesso adequado ao saneamento, e 7,7% enfrentavam privações relacionadas à educação, segundo os critérios utilizados na pesquisa.
Esses números nos mostram que a pobreza não significa apenas ter pouco dinheiro. Ela também pode significar morar em um lugar sem condições adequadas, não ter acesso à água tratada, enfrentar dificuldades para frequentar a escola ou não receber a proteção necessária para crescer com saúde e segurança.
Por trás de cada número existe uma criança com nome, história, sentimentos e sonhos. Uma criança que merece brincar, aprender, fazer amigos, descobrir seus talentos e construir seu projeto de vida.
Quando ampliamos nosso olhar para os cinco continentes, percebemos que os desafios da infância também ultrapassam as fronteiras do Brasil.
Segundo estimativas divulgadas em 2025 pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pelo UNICEF, cerca de 138 milhões de crianças entre 5 e 17 anos estavam em situação de trabalho infantil no mundo, em 2024. Desse total, aproximadamente 54 milhões realizavam trabalhos perigosos, capazes de prejudicar sua saúde, segurança ou desenvolvimento.
O trabalho infantil pode afastar meninas e meninos da escola, limitar suas oportunidades e impedi-los de viver experiências fundamentais da infância, como brincar, descansar e conviver com outras crianças. Além disso, em diferentes países, crianças enfrentam guerras, deslocamentos forçados, fome, violência, discriminação e dificuldades para ter acesso à educação, à saúde, à água potável e à proteção.
Essas realidades não são iguais em todos os lugares. Cada país e comunidade enfrenta desafios próprios, mas todas as crianças têm a mesma dignidade e merecem ter seus direitos respeitados.
É por isso que a missão da IAM não se limita à nossa rua, paróquia ou cidade. Somos chamados a cultivar a amizade e a solidariedade com crianças e adolescentes de todo o mundo.

Toda criança tem direitos!Você sabia que crianças e adolescentes têm direitos garantidos por lei? No Brasil, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece que crianças e adolescentes devem receber proteção integral e ter oportunidades para se desenvolver com liberdade e dignidade. A responsabilidade de garantir esses direitos é compartilhada pela família, pela sociedade, pela comunidade e pelo poder público.
Entre esses direitos estão:
- Direito à vida e à saúde: crescer com cuidados, alimentação adequada e acesso aos serviços de saúde.
- Direito à educação: frequentar a escola, aprender e desenvolver os próprios talentos.
- Direito ao brincar e ao lazer: ter tempo para brincar, descansar, praticar esportes e conviver com os amigos.
- Direito à convivência familiar e comunitária: crescer em um ambiente de cuidado, afeto e proteção.
- Direito à dignidade e ao respeito: ser tratado com carinho, sem violência, discriminação ou humilhação.
- Direito à participação: expressar suas opiniões e ser ouvido nos assuntos que afetam sua vida.
Esses direitos não são presentes que alguém pode escolher dar ou não. São garantias fundamentais que precisam ser respeitadas para todas as crianças, sem distinção. Por isso, celebrar o Dia das Crianças também significa lembrar que nem todas conseguem viver plenamente sua infância. Precisamos trabalhar juntos para que nenhuma criança seja esquecida, explorada ou privada daquilo que necessita para crescer com dignidade.
E nós, crianças e adolescentes missionários, também podemos fazer a diferença! Podemos acolher quem está sozinho, combater o bullying, respeitar as diferenças, ajudar quem precisa e procurar um adulto de confiança quando percebermos alguma situação de violência ou injustiça.
Neste 12 de outubro, podemos fazer uma pergunta importante: o que posso fazer para que uma criança perto de mim tenha uma vida mais feliz, segura e digna?
Neste dia tão especial, queremos confiar todas as crianças e adolescentes à proteção de Nossa Senhora Aparecida. Queremos entregar a ela as crianças do Brasil e dos cinco continentes: as que estão felizes, as que estão doentes, as que vivem em situação de pobreza, as que enfrentam conflitos e as que precisam de carinho, proteção e esperança. Queremos também pedir que Maria acompanhe as famílias, os educadores, os profissionais da saúde, os missionários e todas as pessoas que dedicam sua vida ao cuidado da infância.
O Hino da Infância e Adolescência Missionária nos recorda Maria como “Mãe de Jesus e das crianças”. Essa expressão tão bonita nos ajuda a confiar a ela cada menino e menina, especialmente aqueles que mais precisam de cuidado. Assim como Maria cuidou de Jesus, queremos aprender com ela a acolher, proteger e amar. Que seu exemplo nos ajude a perceber as necessidades de nossos irmãos e a não ficar indiferentes diante do sofrimento de nenhuma criança.
Rezemos:
Nossa Senhora Aparecida, Mãe de Jesus e das crianças, acolha todas as meninas e todos os meninos do Brasil e do mundo.
Cuide das crianças que estão doentes, das que passam fome, das que vivem em meio às guerras e das que não têm uma família ou um lar onde se sintam protegidas.
Ajude-nos a respeitar os direitos de todas as crianças, a defender a vida, a repartir o que temos e a construir comunidades onde ninguém seja esquecido.
Ensine-nos a seguir os passos de Jesus e a viver como verdadeiros pequenos missionários, levando amor, amizade, oração e esperança aos cinco continentes.
Nossa Senhora Aparecida, caminhe conosco e proteja todas as crianças! Amém.
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