Mais de 1 bi de pessoas em 29 países passam fome no mundo, diz pesquisa

O Índice Global da Fome de 2009 aponta que 29 países enfrentam fome severa e que a situação mais urgente é a da República do Congo. O documento, elaborado pelo Instituto Internacional de Pesquisa de Política Alimentar, revela que os países com baixa renda foram os mais impactados pela crise financeira internacional e que o poder de compra de suas populações diminuiu significativamente.

Desde 1990, o índice de fome no planeta caiu 25%, mas isso é atribuído principalmente ao Sudeste Asiático, América Latina e Caribe. O Brasil, assim como o México, Vietnã e Arábia Saudita, melhoraram dramaticamente seus indicadores de fome deste 1990. O número da África subsaariana, porém, permanece alto.

A Organização da ONU para a Alimentação e Agricultura (FAO) alertou no relatório divulgado ontem que, hoje, mais de 1 bilhão de pessoas no mundo passam fome, frente aos 830 milhões contabilizados em 1996. Isto porque a crise financeira impôs grande impacto à segurança alimentar do mundo, sobretudo nos países em desenvolvimento. O sistema mundial de alimentos requer uma reforma imediata para responder à situação. A FAO pediu os governos que reforcem o investimento na agricultura apesar da pressão financeira.


Na África
A prioridade na luta contra a fome na África é combater a "loteria" das secas, em um continente que tem uma baixíssima proporção de terras irrigadas, segundo o diretor-geral da FAO, Jacques Diouf. "Não podemos continuar jogando a loteria agrícola: plantar sementes, financiar e rezar para que chova", disse Diouf e acrescentou que a água é a prioridade mais urgente para combater as crises de fome no continente.

Das terras cultiváveis na África, 7% são irrigadas, em comparação com cerca de 40% na Ásia. Esta proporção é de apenas 1% na região conhecida como o chifre da África (Somália, Etiópia, Djibouti e Eritreia), onde "a população depende das chuvas". Diouf ressaltou a falta de investimento em agricultura na região, que diminuiu de 17% das ajudas públicas em 1980, para 3,8% em 2006. O diretor comentou também que enquanto o Banco Mundial (BM) dedicava 30% de seus fundos à agricultura em 1980, esta taxa era de apenas 6% em 2006.

Além da questão da irrigação, também é preciso se concentrar em melhorar os meios de armazenamento dos alimentos e as cadeias de abastecimento. "Um dos desafios mais cruciais, e o mais complicado, é a compra da produção dos agricultores a um preço vantajoso para eles", acrescentou.


Investimento X aquisições abusivas
Diouf explicou que é preciso encorajar os investimentos estrangeiros na agricultura dos países pobres, mas é preciso impedir "as aquisições abusivas de terras por multinacionais" na África, América Latina e na Europa Central e Oriental. Neste sentido, citou o exemplo da companhia sul-coreana Daewoo, que assinou um acordo para explorar 1,3 milhão de hectares em Madagascar.

O diretor-geral alertou que "os riscos das crises de fome foram agravados por fenômenos climáticos extremos", nos quais a mudança climática tem um impacto "importante".


Brasil precisa de emenda à Constituição
O ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, afirmou nesta terça-feira, 13, que o Brasil está vencendo uma luta histórica contra a fome e a desnutrição."Estamos avançando muito e devemos colocar isso sem arrogância e sem falsa modéstia, para que possamos pensar nos desafios", disse ele, ao participar do seminário Exigibilidade do Direito Humano à Alimentação Adequada e o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, que marca a Semana Mundial da Alimentação.

Patrus Ananias lembrou o compromisso assumido pelo País de erradicar a fome até 2050. Segundo ele, o Brasil se aproxima do montante de 20 bilhões de euros por ano investidos em programas sociais. "É uma opção clara, um esforço para colocar as políticas sociais no campo das políticas públicas, superando o clientelismo e o assistencialismo", disse.

De acordo com o ministro, os desafios na segurança alimentar incluem "integrar a lei à realidade", sobretudo quando o assunto são as chamadas "leis sociais" que, para ele, apresentam maior dificuldade para serem publicadas.Durante o evento, o presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), Renato Maluf, também cobrou do Congresso Nacional a aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que inclui a alimentação entre os direitos sociais.

Maluf afirmou que a medida poderá contribuir para um envolvimento "mais efetivo" de todos os níveis de governo na segurança alimentar. "Tem muita conquista sendo feita, mas vamos comemorar mesmo se o Congresso aprovar rapidinho a PEC que já está entrando em aprovação", acrescentou. O Consea quer a aprovação da PEC até o dia 16, data em que se comemora o Dia Mundial da Alimentação.

O Dia Mundial da Alimentação é celebrado no dia 16 de outubro de cada ano, para comemorar a criação, em 1945, da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO). A celebração da data tem como objectivo principal consciencializar a humanidade sobre a difícil situação que enfrentam as pessoas que passam fome e estão desnutridas, e promover em todo o mundo a participação da população na luta contra a fome.

FONTE: Portal ODM – 15/10/2009

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