Santa Teresinha: uma pequena grande missionária


1º de outubro é dia de Santa Teresinha do Menino Jesus, uma das figuras mais queridas da Igreja e, de maneira muito especial, da missão. Sua memória abre o mês de outubro, tradicionalmente dedicado à animação missionária, e sua história nos ajuda a responder a uma pergunta muito importante: a
final, o que significa ser missionário?

Quando pensamos em um missionário, talvez imaginemos alguém que deixa sua terra, atravessa fronteiras, aprende uma nova língua e parte para anunciar o Evangelho em outro país. Essa é, de fato, uma das formas concretas de viver a missão. Mas a história de Santa Teresinha nos mostra que a missão é muito maior do que viajar para longe.

Ela nunca deixou o Carmelo de Lisieux. Não percorreu continentes, não fundou comunidades em terras distantes e não realizou grandes viagens missionárias. Mesmo assim, a Igreja a reconhece como Padroeira Universal das Missões.

Como isso é possível? A resposta está no coração de Teresinha.

Teresa Martin nasceu em Alençon, na França, em 2 de janeiro de 1873. Era a caçula de uma família profundamente cristã. Seus pais, Luís Martin e Zélia Guérin, também foram reconhecidos como santos pela Igreja.

Ainda muito jovem, Teresinha sentiu o desejo de entregar sua vida a Deus. Aos 15 anos, depois de insistir para seguir sua vocação, recebeu autorização para entrar no Carmelo de Lisieux, onde suas irmãs também viviam. Ali, em uma vida aparentemente simples e escondida, marcada pela oração, pelo trabalho, pela convivência comunitária e pela confiança em Deus, Teresa descobriu um caminho de santidade que ficou conhecido como a “pequena via”.

Para ela, não era necessário realizar coisas extraordinárias para amar a Deus. Era possível transformar os pequenos gestos do cotidiano em grandes expressões de amor: fazer uma pequena tarefa com amor, ter paciência, acolher uma pessoa difícil, rezar por alguém, oferecer a Deus um sofrimento, servir sem buscar reconhecimento... Nas pequenas coisas, Teresinha encontrou um caminho para viver o Evangelho.

Mas onde entra a missão? Teresinha tinha um enorme desejo de ser missionária. Ela queria anunciar Jesus e ajudar a levar o Evangelho a todos os povos. Porém, sua vida no Carmelo não lhe permitia partir para outros lugares.

Foi então que compreendeu algo fundamental: ela também poderia participar da missão da Igreja por meio da oração, do amor e da oferta de sua própria vida. Do Carmelo, acompanhava espiritualmente missionários, rezava por eles e oferecia seus sacrifícios pela evangelização.

O Papa Francisco explicou muito bem essa dimensão da vida de Teresinha: embora nunca tivesse saído em missão, seu coração era profundamente missionário. Ela acompanhava os missionários com suas orações, cartas e sacrifícios, como uma força escondida que impulsiona a missão. Por isso, sua história nos ensina que a missão não é apenas uma questão de geografia. É, antes de tudo, uma questão de amor.

Em sua Exortação Apostólica C’est la confiance, dedicada a Santa Teresinha, o Papa Francisco destaca justamente essa dimensão missionária de sua espiritualidade.

Teresinha compreendeu que seu encontro com Jesus não poderia ficar somente dentro dela. Seu desejo era amar Jesus e fazê-Lo amado. Ela entrou no Carmelo também com o desejo de “salvar as almas”, compreendendo que sua entrega a Deus deveria estar sempre ligada ao bem dos outros.

É aqui que encontramos uma chave muito bonita para compreender a missão: quem encontra Jesus é chamado a levar esse amor aos outros, não necessariamente com grandes discursos, não necessariamente viajando para longe... Mas com a própria vida!

E as crianças e adolescentes da IAM?
Essa mensagem de Santa Teresinha tem tudo a ver com a Infância e Adolescência Missionária: em 2023, ao recordar os 150 anos do nascimento de Teresinha, o Papa Francisco afirmou que sua oração nos ensina que, mesmo sendo pequenos, podemos contribuir para tornar Jesus conhecido e amado. Ele destacou a oração como uma verdadeira ação missionária, capaz de chegar a todos os lugares e alcançar crianças, jovens e missionários.

Isso significa que uma criança não precisa esperar crescer para ser missionária, um adolescente não precisa viajar para outro continente para participar da missão. A missão pode começar agora.

Então, afinal, o que significa ser missionário? Ser missionário é deixar que o amor de Jesus transforme nossa vida e fazer com que esse amor chegue a outras pessoas: é rezar por quem precisa, é acolher quem está sozinho, é ajudar em casa, partilhar, visitar alguém que sofre, é defender quem é injustiçado. É cuidar da Casa Comum, é anunciar a esperança, é usar as redes sociais para espalhar o bem. É falar de Jesus, mas também mostrar Jesus através das nossas atitudes. É perceber que existem crianças e adolescentes em diferentes partes do mundo que precisam da nossa oração, solidariedade e amizade. É compreender que a missão começa exatamente onde estamos.


Uma santa que nos ensina a ser pequenos
Talvez essa seja uma das mensagens mais bonitas de Santa Teresinha para a Garotada Missionária: não precisamos ser grandes para fazer grandes coisas.

Teresinha morreu muito jovem, aos 24 anos, em 30 de setembro de 1897. Foi canonizada pelo Papa Pio XI em 1925 e, em 1927, proclamada Padroeira Universal das Missões, juntamente com São Francisco Xavier. Em 1997, São João Paulo II a declarou Doutora da Igreja.

Sua vida escondida no Carmelo tornou-se uma mensagem que atravessou fronteiras e chegou ao mundo inteiro porque a força da missão não está apenas no tamanho daquilo que fazemos, está no tamanho do amor que colocamos naquilo que fazemos.

Neste Mês Missionário, inspirados por Santa Teresinha, podemos fazer uma experiência muito simples: uma pequena atitude missionária por dia. Pode ser uma oração, um gesto de carinho, uma ajuda, uma partilha, um pedido de desculpas, uma mensagem de esperança, um cuidado com a natureza, um tempo dedicado a alguém que precisa ser ouvido.

Ao final do dia, podemos perguntar: “Hoje, por meio de mim, alguém conseguiu experimentar um pouco do amor de Jesus?” Se a resposta for sim, então a missão aconteceu.

Santa Teresinha nos ensina que oração também é missão, amor também é missão e pequenos gestos também podem transformar o mundo. Que neste outubro, seu testemunho inspire cada criança, adolescente, assessor e família a descobrir que existe um missionário dentro de cada coração que se abre para Deus e para o próximo.

Que Santa Teresinha interceda por todas as crianças e adolescentes do mundo e nos ajude a viver aquilo que a IAM anuncia: “De todas as crianças e adolescentes do mundo, sempre amigos!”



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