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Testemunho Missionário - O rosto campesino paraguaio

Luane Lira, da JM de Alagoas e João Guilherme de Melo, da JM do Paraná estão, desde o dia 06 de janeiro, representando o Brasil nas Missões de Verão, organizada pelas Pontifícias Obras Missionárias (POM) do Paraguai. É de lá que eles nos enviam esse lindo testemunho missionário...

Desde que chegamos, eu e Luane estamos experimentando o sabor rico que tem a missão além-fronteiras. Um sabor de espiritualidade, muita partilha e aprendizado; aqui no interior do Paraguai, um encontro profundo com o Cristo de rosto campesino, que fala guarani e castelhano.

Pe. Walter SVD, diretor das POM do Paraguai, nos disse em formação antes mesmo de sair de assunção: “nós não vamos lá para ensinar e nem falar muito. Vamos para escutar, estar junto!”. Segundo Pe. Walter, a missão aqui tem o objetivo de ser uma missão de apoio ao trabalho já realizado pelos padres. Como ele disse: “uma missão de encontro de pessoas de fé (encontro profético), cuja atitude de base é: a escuta do outro (a)”. Uma missão de ir ao encontro das famílias e saber como estão; dar importância a essas pessoas, pois sentem com o tempo as dificuldades da vida, lhes falta sentido de viver, abandonadas. 

Eu e Luane estivemos presentes em duas capelas diferentes até esse momento, estamos separados, mas juntos em oração e às vezes por celular. A Paróquia que está nos recebendo é a de são Blas, cidade de Guajaybi, que tem 40 mil habitantes, e fica no estado de São Pedro. Aqui quem esta atendendo a paroquia são os missionários verbitas. A paroquia tem 60 capelas que são atendidas por dois padres: Pe. Rodrigo e Pe. Martin, ambos da Indonésia. Os dois sabem falar castelhano e pouco guarani, mas entendem tudo em guarani. 

Uma gente muitíssimo pobre e humilde. É interessante e muito bonito notar que eles tem traços indígenas; traços dos antigos guaranis que viveram aqui desde sempre, mesmo antes da chegada dos espanhóis em 1550. Por isso, aqui todos falam o guarani e cerca de 70% falam castelhano; as pessoas de mais idade falam muito pouco o castelhano. Percebe-se que 60% das pessoas sabem ler e escrever, mas não lhes faltam sabedoria e discernimento em suas ações e no seu dia-a-dia. 

Em sua grande maioria, cada pessoa tem seu pedacinho de terra onde pode cultivar mandioca, milho, poroto (feijão), amendoim, batata e soja. Tudo muito artesanal. Um dia eu pedi a mãe da casa onde eu estava que pudesse fazer “Chipas”, que são como que biscoitos grandes, feitos de farinha de milho, amido e manteiga, que tem por dentro aparência de pão de queijo depois de ir para assar no forno de barro que fica no quintal. É comum ter no quintal frutas. A maioria também ao que parece tem as suas galinhas, porcos e vacas, andando pelo quintal ou em algumas casas andando por dentro mesmo. Quem tem um pouquinho mais de condição obviamente tem um maior numero desses animais. Todas as pessoas têm a sua garrafa térmica e cunha de tereré. E aonde chegamos às pessoas fazem questão que nos sentemos para conversar e tomar tereré. O calor é de uns 40 graus mais ou menos, e desde novembro não chove; coincidentemente e por graça de Deus desde ontem está chovendo, e essa gente precisa muito da chuva, porque se não chove, não tem como cultivar, não tem trabalho, não tem comida na mesa.  Eles disseram que foram os missionários que trouxeram a chuva. É uma gente pobre que não tem mais nada que a sua família, sua casa, sua terra, seus animais e o mais importante: seus sonhos e sua fé. As casas são na maioria de madeira; e os banheiros pra fora de casa; ou seja, necessidades ao ar livre, e a gente não faz cerimonia, não tem formalidades. Divertido. As comunidades são sempre na beira da estrada e das “Calles” que são estradas de terra a entrar pelo interior. Parece o interiorzão do nosso Brasil. 


Existem muitos jovens por aqui. É um fato que a maioria dos jovens tem uma moto e infelizmente andam sem capacete. Pelo que nos contam as pessoas, muitos jovens morrem vitimas de acidentes de moto. A maioria vai à escola, porém logo desanimam no ensino médio e abandonam a escola na metade do curso. Pelas visitas nas casas percebemos que muitos jovens se foram para trabalhar em Assunção, a capital, Ciudad del Leste, fronteira com Foz do Iguaçu; e/ou estão na Argentina, Brasil e na Espanha; a razão disso: a metade deles não encontra trabalho por aqui mesmo. Ficamos surpresos pela participação deles nas atividades que organizamos nas capelas. Em muitos jovens percebe-se a inquietude com relação ao futuro e a esperança de algo melhor para suas vidas. Querem muito criar um grupo para se reunir e nós lhes expusemos a proposta da JUVENTUDE MISSIONÁRIA (JM). Foi positivo. Há também a problemática dos jovens líderes de movimentos na Igreja, que deixam seus trabalhos na comunidade paroquial porque têm que estudar em faculdades de outras cidades muito longe de suas capelas, o que atrapalha todo o trabalho da comunidade. 

Das comunidades pobres onde estivemos as crianças que tem 10 anos, por exemplo, parecem ter uns seis ou sete anos; são magras, mas são ao menos robustas. Quase todas vão à escola. Todas elas falam guarani, poucas falam e entendem castelhano. Parece-nos que aos sete ou oito anos já entendem bem o castelhano.  Eles respondem bem aos convites de vir participar das atividades que nós organizamos. Estão contentes de estarmos aqui e às vezes nos perguntam quando é que vamos voltar. Todos ficaram muito animados com a proposta de começar a INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA MISSIONÁRIA (IAM). Eles gostaram muito da dinâmica, dos passos e do carisma; ou seja, querem muito ser “Niños Misioneros”. Também estamos ensinando as crianças alguns traços da IAM do Brasil como o grito de guerra, que veio do Ceará e agora vai ao mundo, claro que não esquecemos de ensinar a saudação da IAM e todas as crianças não se cansam de repetir: “De todos los niños del mundo, siempre amigos!” 

As famílias são muito unidas e trabalhadoras. Desde cedo se aprende o valor do trabalho e a necessidade de dar duro todo dia para poder sobreviver. Famílias muito humildes e com valores riquíssimos. Quando chegamos a Assunção víamos propagandas pela cidade pedindo às pessoas que tivessem em conta o valor do perdão; onde é que se vê isso? E depois com a dinâmica de tomar tereré, isto é, partilhar todos do mesmo copo com erva-mate e agua gelada. Servir ao outro. Isso é realmente muito bonito. 

Essa gente é muito bonita. Gente de fé, gente de Deus. São extremamente acolhedores e hospitaleiros. Oferecem-nos a comer de tudo, e cá entre nós JM: cada comida boa! Não sei Luane, mas eu gostei demais! Gostam muito do Brasil, e nos tem como que a irmãos de sangue, somos muito valorizados por aqui. Bem se vê que encontramos muitas marcas de alimentos do Brasil e aqui, por sorte nossa, até TV em português se vê, muitos jovens sabem palavras e expressões em português. É divertido. 

Eu escrevo esse essa mensagem a vocês muito emocionado e contente; e faço minhas palavras as da Luane também, que esta muito contente. Estamos bem gente! Estamos vivos! Contentes da vida! As vezes quando eu e Luane vamos conversar não conseguimos falar as frases inteiras em português, sempre começamos a falar espanhol sem perceber, e ai caímos na risada; e já estamos falando português parecido, mesmo ela dizendo com seu sotaque a la “nordestina” e eu com meu “Leite quente”, já nem dá mais pra diferenciar.

Essa gente nos quer tão bem que nos quer emprestados as POM do Paraguai por um tempo. Isso depende de nosso chefe, não é Pe. Marcelo? O fato é que aprender guarani é a coisa que eu e Luane estamos encontrando de mais complicado; aprender guarani é pra lá de difícil. Porém o mais legal é que os jovens, crianças e adultos nos querem ensinar a falar, e ficam felizes quando falamos a língua deles. 

Queremos muito que possamos seguir com essa experiência por muito outros anos. Bem, pedimos a Deus que sim antes de nossos próprios desejos, mas eu estou seguro que sim. Sentir as dores deles, rir das mesmas piadas, chorar das mesmas tristezas, sonhar junto, olhar o mesmo horizonte.  Seguimos aqui até o domingo, dia 15/01, onde ao final da missão voltamos pra Assunção e depois pra casa, levando conosco muita coisa a contar pra todos. 

Luane conta o quanto é emocionante pensar na nossa trajetória missionária desde a IAM até a JM e poder compartilhar essa experiência com o povo paraguaio, ser sinal de esperança no meio deles. E quando nós fazemos o convite às crianças daqui, nos recordamos do convite que nos fizeram, quando bem pequenos, aí no Brasil, e hoje estamos aqui, pela primeira vez, fazendo uma experiência missionária além-fronteiras pela JM. 

Só podemos dizer ao fim que: É uma experiência belíssima e profunda de poder enxergar a Jesus, Maria e José com o rosto campesino paraguaio.

João Guilherme de Melo
Coordenador da JM do Paraná






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