Pré-Congresso da Infância e Adolescência Missionária de São Paulo


O primeiro Congresso Americano da Infância e Adolescência Missionária acontecerá em Aparecida, São Paulo, na penúltima semana de maio, 23 a 25, com cerca de 700 participantes da América Latina e Caribe e com delegados de alguns países africanos e europeus. A proposta para a realização desse Congresso foi aprovada em abril de 2012 pela CNBB.

Os coordenadores/as da Infância e Adolescência Missionária do Regional Sul 1 decidiram organizar um Pré-Congresso que teve lugar em São Paulo no sábado, dia 15 de fevereiro, no Centro Pastoral São José, na Região Episcopal do Ipiranga, Zona Leste.

Nele participaram os assessores/as de 24 dioceses do Regional Sul1, desde a manhã até ao meio da tarde. Participaram também os coordenadores da Juventude Missionária e representantes da OCM (Obra dos Cenáculos Missionários) e do COMIRE (Conselho Missionário Regional).

Depois do café da manhã a abertura foi feita pela coordenadora Nádia e pela secretário nacional das Pontifícias Obras, o padre André Negreiros que se deslocou de Brasília. Padre André fez questão de salientar que o objetivo principal do encontro era o de se preparar bem para participar no Congresso e ajudar a prepará-lo. "Juntos nós somos mais, e sozinhos não somos ninguém", afirmou Nádia ao dar as boas vindas a todos os presentes.

Depois da oração inicial que foi enriquecida com alguns símbolos como o cartaz do Congresso, a imagem de Nossa Senhora Aparecida, a Bíblia e os símbolos dos regionais e as velas, Dom Vicente Costa, bispo de Jundiaí, presidente do Comire Sul1 que não pode estar presente, enviou uma mensagem que foi lida publicamente e da qual destacamos: "A Igreja está saindo para levar a alegria e vencer o isolamento e os vazios da vida com o Evangelho". Frisou com insistência que, no rosto da igreja, deve transparecer a alegria de ser missionário.

Depois, a palavra foi dada ao padre André que apresentou um abrangente painel sobre os desafios que cercam hoje, em nosso continente, a infância e a adolescência. Na nossa sociedade se fala muito sobre questões econômicas e políticas, mas se fala pouco sobre o que está acontecendo com crianças e adolescentes. As últimas estatísticas sobre prostituição infantil e tráfico são de 2010. Vemos crianças exploradas até em propaganda e em novelas, além do trabalho ilegal, sobretudo crianças de famílias imigrantes ou filhos de trabalhadores de fazendas.



Na América latina, segundo os dados da OIT (Organização Internacional do Trabalho), vivem 70 milhões de crianças na pobreza, das quais 30 milhões na miséria. Crianças que trabalham chegam a 168 milhões, das quais 120 milhões a tempo integral. Há crianças que trabalham na rua o dia inteiro e só voltam a dormir em casa no fim de semana. E as crianças indígenas passam também por situações de grande risco, não só no trabalho, mas na precariedade da educação escolar, na saúde e no tráfego que se vai infiltrando.

Os direitos da criança estão definidos, escritos no papel, mas, infelizmente, em muitos aspetos não saíram desse papel. Padre André , depois de apresentar informações importantes sobre a situação da criança e adolescente fez a seguinte pergunta: "como é que a IAM se posiciona diante destes problemas? Acompanhar numa paróquia ou comunidade, organizar festas, aproximá-las do altar, colaborar com os cofrinhos, ocupá-las só com atividades religiosas? A Infância deve ter a possibilidade de contato com o seu ambiente, com situações de pobreza. Ajudar as crianças a superar os preconceitos com outras crianças, também as indígenas. Enfim a criança deve ser ajudada a abrir-se para os problemas do outro". Com esse tipo de alerta, o padre Andre alargou sua exposição elencando as situações mais desafiadoras para a criança.


Em seguida padre ele apresentou algumas metodologias para a atuação da IAM:
- promover a evangelização nas comunidades, crescendo juntos como família missionária.
- colaborar na divulgação de eventos locais ou setoriais, valorizando as redes em tempo útil
- Participar nas campanhas com envolvimento concreto.
- Criar intercâmbio de experiências com outras realidades
- Agir em parceria com outras organizações como o Conselho Tutelar

Enfim, integrar bem a ação e interação entre catequese e atividades da IAM, envolvendo os pais das crianças, muitos dos quais acabam se sentindo bem e atraídos para a comunidade.

De tarde, além das informações sobre quem e como se pode participar no Congresso, a assembléia foi dividida em grupos temáticos para refletir sobre aspetos práticos da vida da Infância e Adolescência Missionária. Na partilha dos grupos foram acentuados alguns aspetos importantes:
- a IAM e a catequese nas comunidades que devem evitar o surgimento de conflitos, preservando bem a identidade da IAM.
- O cuidado com a boa preparação dos coordenadores. E os assessores que cuidem muito da promoção do protagonismo da criança porque ela quer sentir-se "alguém".
- Juventude: estar sempre em sintonia com as pastorais da paróquia e com o pároco
- A família: como atrair os pais? É um grande desafio. Valorizar bem as visitas a domicílio e fomentar as "Famílias Missionárias".
- Valorizar as escolas particulares, como já o fazem algumas Congregações em colégios particulares.



Antes do encerramento, padre André apresentou três referências importantes para que o Congresso possa ser bem sucedido:
- Preparar-se bem, porque já estamos na "passagem regressiva", o tempo é curto. Em Aparecida tudo está sendo bem articulado. Fazer bem a inscrição conforme os dados pedidos pela ficha e dentro do prazo.
- O Congresso deseja traçar linhas importantes para nossa caminhada no futuro. Devemos estar preparados e refletir juntos.
- Ficar desde já em sintonia com o Congresso. Acompanhar a preparação, buscando informações no site. Informar a Coordenação sobre qualquer alteração, depois que foi inscrito.

O encontro foi encerrado com algumas palavras de agradecimento proferidas pela coordenadora Nadia, agradecendo a participação de todo o mundo.


Pe. Joaquim Gonçalves, Missionário da Consolata

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