E pra criança? Nada? Tudo!



Finalmente chegou o mês missionário, mês da nossa padroeira Santa Terezinha, e das crianças. A situação mundial dos nossos pequenos sugere atenção e cuidado, porque causa indignação saber que nove milhões de crianças nos cinco continentes morrem antes de completar cinco anos de idade. Constata-se ainda, que não existe em todo o planeta um sistema de assistência médica eficaz, capaz de evitar que tantas mães ainda morram no parto. E sem as mães, como teremos as nossas crianças? Há também diferentes causas de morte dos nossos pequenos ligadas à pobreza absoluta e à violência. Como comemorar o Dia da Criança desse jeito?

Em nosso país, a chamada "Lei da Palmada" gerou polêmica  Isso até nos trouxe à memória, as diferentes interpretações do ECA- Estatuto da Criança e do Adolescente, lei criada com objetivos claros para a defesa da criança e do adolescente, com a participação dos movimentos sociais que atuam junto a eles, inclusive com a Pastoral do Menor. Não existia antes do ECA nenhuma lei que tratasse da realidade vivenciada por crianças e adolescentes, a não ser o Código de Menores, que tratava apenas das crianças e jovens tidos como um perigo para a sociedade, criado na década de 20. Um equívoco é entender que a "Lei da Palmada" impedirá que os pais eduquem os seus filhos, pelo contrário, a Lei veio como forma de orientar os pais a não utilizarem a violência e a substituir os castigos físicos por outras formas educativas. Nesse sentido, esta Lei fortalece o direito da criança e do adolescente de ser educado e receber cuidados sem tratamento cruel, nem castigos corporais.

Vale a pena refletir, sobre o modo de vida dos nossos adolescentes e crianças hoje em dia. Como estão sendo orientados no dia a dia, quando precisam tomar decisões? Nós, adultos, os acompanhamos em suas escolhas? Questionamos suas posturas? Qual o "lugar" que nos colocamos para auxiliá-los em situações de injustiças? O animador da IAM também contribui na formação destes pequenos, como parte da aprendizagem que levarão à vida adulta. Sim, porque de acordo com o ECA, a criança e o adolescente são "pessoas em desenvolvimento" e nesse sentido, integrá-las a um grupo com a mesma faixa etária é muito importante. É o próprio Jesus que nos pede: "Deixem as crianças vir a mim. Não lhes proíbam, porque o Reino de Deus pertence a elas" (Mc 10, 14b).

De todas as crianças do mundo, sempre amigos!

Roseane de Araújo Silva é missionária leiga
e pedagoga da Rede Público do Paraná.
Publicado na Revista Missões - Outubro 2010

Sugestão para o grupo
Acolhida: preparar o ambiente com os símbolos missionários e imagens de crianças dos cinco continentes em diferentes situações, com os símbolos missionários, as cores dos continentes e a Bíblia.

Motivação (objetivo): refletir com o grupo a comemoração do Dia da Criança nos dias atuais e sobre os pequenos que perdem sua infância.

Oração: espontânea pelas crianças e adolescentes que são impedidos de viver.

Partilha dos compromissos semanais.

Leitura da Palavra de Deus (sugestões para os 4 encontros):
Realidade Missionária: Mateus 18, 10-14
O evangelista nos recorda que Jesus se preocupa com cada um dos pequeninos e essa também deve ser a preocupação da comunidade. A nossa realidade nos mostra muitas crianças e adolescentes afastados da comunidade. O que devemos fazer para torná-los amigos e amigas de Jesus?

Espiritualidade Missionária: João 7, 37-39.
No Evangelho de João, Jesus nos convida a saciar a nossa sede na fonte de água viva e estar abertos à novidade de Deus no mundo. Ele não quer perder nenhum de nós, porém, permite a nossa escolha. Abraçar a missão de Jesus é seguir em frente, construindo o Reino do Pai em nosso meio. Rezemos pelas crianças e adolescentes que não conhecem Jesus. 

Compromisso Missionário: Romanos 10, 15-18.
Em sua carta aos Romanos, o apóstolo Paulo fala da alegria de evangelizar, de tornar Jesus conhecido em toda a parte. Partilhemos as alegrias que sentimos em nosso trabalho missionário, bem como os desafios a enfrentar. Em nosso último encontro, Vida de Grupo, celebraremos o Dia das Crianças e para isso, devemos convidar para uma festa comunitária, os demais grupos ou pastorais que também trabalham com crianças e adolescentes na comunidade ou paróquia. Nosso sacrifício desse mês será pela defesa da vida das crianças na Ásia.

Vida de Grupo: Lucas 12, 22-34.
Ao falar para seus discípulos, Jesus nos mostra que nada é mais importante que a busca do Reino e isso ocorre quando promovemos relações de partilha e fraternidade. Celebrar o Dia da Criança com uma tarde animada, com outros grupos ou pastorais da comunidade ou paróquia. Momento de agradecimento (fazer preces espontâneas a partir do tema e da reflexão do Evangelho).

Canto e despedida.

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