Seminaristas pedem mais atenção para a formação missionária


Segundo estatísticas, o Brasil possui 5.500 seminaristas e mais de 10 mil paróquias, ou seja, meio seminarista por paróquia. Há regiões do país que para cada 300 mil habitantes há a presença de um padre. Além disso, permanece o desafio de contribuir com a missão além-fronteiras em países onde a presença de missionários é mínima ou inexistente.

Essa realidade reforça o convite do papa Francisco para uma Igreja em saída, que estabeleça seu território além das fronteiras pastorais. Uma Igreja que em estado permanente de missão.

Para redescobrir um novo jeito de ser Igreja, seminaristas, padres, leigos, religiosos e bispos estiveram reunidos durante quatro dias em Belo Horizonte (MG), compartilhando experiências e buscando soluções, a partir das reflexões propostas, para uma formação mais sintonizada com as demandas da missão no Brasil e no mundo.


A Pontifícia União Missionária vem trabalhando para proporcionar aos futuros presbíteros uma espiritualidade voltada para a missão. Para isso, estão sendo criados nos seminários, os Conselhos Missionários de Seminaristas (Comises). Os estados do Piauí, Maranhão e Ceará são pioneiros e exemplos nesse processo. Dentre tantos frutos que se espera do 2º Congresso Missionário Nacional de Seminaristas, estão a criação e o fortalecimento dos Comises, encontros de formação missionárias (Formises) para seminaristas e reitores, experiências de missão já durante a formação e trabalho articulado com os demais organismos missionários nas dioceses e regionais.

O primeiro Comise do Brasil foi organizado no Piauí, idealizado pelo padre Fábio Bertagnolli, do clero do Maranhão, diretor espiritual do Seminário Interdiocesano de Teresina. O Maranhão, por sua vez, se destaca pelo estatuto que reúne ideias para unificar os trabalhos de todas as dioceses que compõem o Regional Nordeste 5 e pelas semanas missionárias interdiocesanas realizadas a cada ano. O Ceará possui um belo exemplo de organização através das Diretrizes de Organização dos Comises do Regional Nordeste 1 da CNBB. Estas diretrizes nortearão os trabalhos e efetivação dos Comises em todas as dioceses do Ceará, além de incentivar e animar os seminaristas para a missão ad gentes.

Os seminaristas cearenses organizam simpósios, Fomises regionais e retiros de espiritualidade missionária, garantindo uma formação missionária permanente e sólida para os futuros presbíteros.

Para o seminarista Davi Cruz, da diocese de Itapipoca, no Ceará, a Igreja do nordeste tem um jeito peculiar, próprio da região, “e a missionariedade também tem que atingir a religiosidade popular”, explica.

Sentimos que a sociedade não quer acolher a proposta e a ética cristã e nos seminários estão se formando os futuros missionários presbíteros que irão atuar nestes campos de fechamento, de hedonismo, de egoísmo, de individualismo que assolam a sociedade, e para isso não podemos esperar que eles venham procurar a voz da Igreja, que venham em busca de orientação, então temos que ser a Igreja em saída. Como? Indo ao encontro dessas realidades e animando a tantos homens e mulheres que perderam a esperança neste mundo.

Para Davi, foi importante a participação no Congresso, que vem ser um momento de reunir experiências espalhadas pelo país, mas, acima de tudo, ele sai do evento consciente da necessidade de elaborar um projeto pastoral missionário para os seminários do regional. “Já sabemos que no país algumas dioceses fizeram esse projeto e aqui se tornou mais evidente que é necessário hoje um projeto dentro dos seminários. Precisamos formular este projeto no nosso regional”.


Carta-compromisso
Ao final do encontro, os participantes do 2º Congresso Missionário Nacional de Seminaristas produziram uma Carta-compromisso visando ecoar o entusiasmo e os frutos do encontro. A mensagem dos seminaristas congressistas é dirigida aos seminários, formadores e bispos de todo Brasil.

No processo formativo, dentro e fora do seminário, experimentamos muitas alegrias e, muitas vezes, nos sentimos impotentes diante de tantos desafios”, afirma um trecho da Carta. “Mas, estamos convictos de que a vocação é dom de Deus e a missão d’Ele procede. Dirigimo-nos aos nossos bispos, pedimos o apoio e bênção para que a pedagogia do processo formativo seja de fato participativo e nele sejamos protagonistas para que, em nossa formação, estejamos disponíveis de forma madura e responsável”, desejam os seminaristas e pedem uma formação centrada na missão, a ampliação dos COMISEs e a realização de experiências missionárias.

Comentários