Testemunho: professora fala sobre o trabalho da IAM na prevenção ao Tráfico de Crianças


Sou professora apaixonada pela missão de educar. Nasci em Cruzeiro do Sul, no Acre, onde resido e sou casada com Francisco, o Civaldo, com quem tenho três filhos e uma neta. A minha raiz missionária vem dos meus pais, de modo especial da minha mãe. Em 1992, já casada e com filhos, eu e o meu esposo começamos a participar da Pastoral Familiar. Essa Pastoral nos ajudou no fortalecimento matrimonial e familiar.

Não é nada fácil conciliar família, missão e trabalho. Os desafios são grandes, mas Jesus vai mostrando caminhos. No ano 2000, a Irmã Gabriela Gomes iniciou a Infância e Adolescência Missionária (IAM) na diocese de Cruzeiro do Sul. À época, participávamos ainda da Pastoral Familiar, mas comecei a colaborar nos encontros da IAM e fui ficando entusiasmada. Tanto que, de 2007 a 2012, coordenei a IAM na diocese e assessorava cinco grupos na paróquia Nossa Senhora da Glória.

O serviço com as crianças e adolescentes é algo contagiante que nos deixa fortes e nos dá muita esperança no dia a dia. Que bom seria se todas as paróquias e comunidades abraçassem esse serviço, onde as crianças são protagonistas da missão.

As crianças e adolescentes veem as coisas com um olhar que os adultos muitas vezes esquecem como é ou não querem mesmo ver. Nos grupos da IAM, elas crescem pelo compromisso do batismo, transmitem fé e aprendem a partilhar com todas as crianças. Com suas alegrias, dores e esperanças conseguem ser “samaritanas”.

Em uma das minhas visitas missionárias, estive com um grupo de crianças de 7 a 9 anos. Neste grupo havia três crianças evangélicas. Ao se apresentarem, disseram que estavam ali porque gostavam de Jesus que brincava, rezava e que ajudava os outros e que os coleguinhas do grupo eram como Jesus. Na IAM consegui reunir crianças que já não tinham nenhum sentido na vida, que se isolavam de todos. Havia um adolescente que era muito agitado e que já estava levando a vida de forma errada. Conseguimos resgatá-lo para o nosso meio. No início foi muito difícil, mas com o passar do tempo, ele começou a participar do grupo, sua família também veio chegando e hoje em dia, atua em sua comunidade, assessora um grupinho da IAM.

Somos todos desafiados ao trabalho missionário em nosso ambiente profissional, na escola, paróquia, família, sociedade, na cidade e no interior. Para mim, ser leiga missionária, esposa, mãe e educadora é um presente de Deus. Hoje atuo no Conselho Missionário Diocesano (Comidi), mas para manter a chama da missão universal acesa, tiro um tempinho para visitar os grupos da IAM. Estou sempre atenta e acompanhando a caminhada dos grupos da IAM do Regional Noroeste da CNBB (Acre, Rondônia, Sul do Amazonas), pelo facebook.

Não há palavras para descrever o bem que estes pequenos grandes missionários proporcionam a nós e às famílias. Nelas, vejo a face de Jesus e entendo melhor a confissão do grande missionário Paulo de Tarso: “O amor de Cristo é que nos impulsiona” (2 Cor 5, 14). A missão com as crianças e adolescentes é um caso de amor. “De todas as crianças e adolescentes do mundo, sempre amigos!”

Aldemísia Valente Magalhães
Professora e coordenadora do Comidi de Cruzeiro do Sul no Acre
(Publicado no livrinho da Novena Missionária 2014, p. 36 -37).

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