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“Deve-se dar à criança a autoridade de nos dizer quem é Deus”, diz psicanalista em formação da IAM


A Teologia Missionária da Criança foi um dos temas tratados na última quinta (30), na 2ª Semana de Formação Missionária para Educadores, que encerrou suas atividades no dia 31, no Centro Cultural Missionário (CCM), em Brasília. A professora e psicanalista Karen Ellen Wondraceque, propôs aos 24 educadores que representam escolas e instituições de 10 estados brasileiros, que vejam “a missão a partir da criança, escutando o que ela já traz para dentro da missão”.

Karen Ellen lembra que, como templo do Espírito Santo, a criança traz “o Reino de Deus dentro de si” e manifesta sua espiritualidade “mais para ensinar, do que para aprender”. Citando autores que evidenciam a teologia da criança, a professora afirma ser necessário “não atrapalhar a espiritualidade que a criança já manifesta e sim, ajudá-la a encaminhar essa espiritualidade para o crescimento”.

Citando a exortação de Cristo “Deixai vir a Mim as crianças, porque delas é Reino dos Céus”, Karen Wondraceque pergunta “o que eu posso aprender sobre o Reino dos Céus a partir de contemplar a criança, conversar e estar com ela? Deste ponto de vista, é ela quem me evangeliza”.

Os sinais mais evidentes na teologia a partir da criança, segundo a psicanalista, são a sua noção de que a vida é muito além daquilo que se vê, com abertura para o invisível, para o transcendente, para a dependência de um ser maior. “Ela não tem problemas com isso. Ela depende, ela se apega. Intui que não é só dos pais que precisa. Intui que há um ser maior, que fez os pais e a fez, que a criou e de alguma forma, a criança sabe que existe um ser maior, que fez tudo’’.

Escutar a criança, sabendo que ela é protagonista da evangelização traz surpresas e aprendizado. A professora atesta que a criança faz declarações “incríveis, teológicas e cosmológicas”, desde que seja ouvida e acrescenta: ''os adultos acham erradamente, que precisam levar tudo pronto.”

Como incentivar
Para dar lugar a esse protagonismo, um bom começo é ouvir a criança, deixar que ela expresse seus pensamentos e sentimentos, quando lhe contamos histórias. “Por exemplo, usar o método de Jesus. Ele contava parábolas, mas não dava logo a interpretação. Deixar a criança dizer como ela entende. Como vê o Reino naquela história. E a partir daí, vou ouvir respostas profundas e teológicas”.

Outro elemento importante é permitir e ouvir a criança rezar. Karen Ellen diz ter relatos de pais que escutam seus filhos e aprendem com eles. Cita a catequista italiana Sofia Cavaletti, que criou um movimento de liturgia a e de adoração a partir e com a criança, com frutos surpreendentes.

Novos paradigmas
“Dar a criança a autoridade para ela nos dizer quem é Deus”, enfatiza a psicanalista, com base nos próprios relatos evangélicos, onde Cristo corrige posturas dos seus seguidores. “Na disputa teológica entre os discípulos, para saber quem era o maior deles, o que Jesus fez? Pegou uma criança e disse “olhem para ela para saber quem é o maior”, então até para resolver embates teológicos eu deveria conversar coma criança, olhar para ela”.


A IAM e o Estado “laico”
E diante do apelo insistente por um ‘’estado laico” que priva muitas crianças do ensino religioso nas escolas, da fé como valor associado à ciência e ao conhecimento, a professora entende que os grupos de Infância e Adolescência Missionária, podem ser uma resposta adequada, já que mesmo em um contexto de pluralismo religioso, presente na educação,  permanece o anseio pelo sagrado.

Achei linda a resposta de Edgar Moran, pensador francês a respeito do estado laico. Ele diz, laico sim, mas que respeite a condição humana e a religiosidade que faz parte da condição humana desde sempre, então ela merece e deve ser estudada sempre''.

Acrescenta que abrir-se ao transcendente "é diferente de catequizar e de doutrinar. É deixar um espaço para o sagrado, sim. Porque é constitutivo do humano. Então, eu vou ser cientificamente coerente se deixar um espaço para o sagrado, mas se tirar isso, eu vou estar desrespeitando a condição humana. Principalmente a condição infantil porque ela tem uma sede do sagrado, ela foi criada com o sagrado dentro dela. Ela tem fome de um ser maior do que seus pais. Porque ela sente anseios muito maiores, que os pais não conseguem responder”.

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