Infância e Adolescência Missionária: a missão da Igreja confiada às crianças


Após quatro edições sobre o Sacramento do Batismo e uma que introduziu ao Ritual da Iniciação Cristã de Adultos (RICA), o jornal "Encontro Semanal", da Arquidiocese de Goiânia (GO), apresenta em sua última edição uma proposta da Igreja que colabora diretamente para as crianças “batizadas serem sal da terra e luz do mundo” (edição 47), testemunhas do Cristo ressuscitado a partir da vivência do Evangelho. Trata-se da Infância e Adolescência Missionária (IAM), que tem em comum com as outras três Pontifícias Obras Missionárias (POM), “o objetivo de promover o espírito missionário universal, no seio do Povo de Deus”, conforme exorta São João Paulo II, na Carta Encíclica Redemptoris Missio, sobre a validade permanente do mandato missionário.

A Infância Missionária, como é mais conhecida, hoje presente em 127 países, celebra em 2015, 172 anos de fundação. Foi criada pelo bispo francês Dom Carlos Forbin-Janson em 19 de maio de 1843, na cidade de Nancy, França, a partir do olhar sensível do bispo para com as crianças chinesas da época, que viviam em situação de miséria e sofrimento. Este, portanto, sempre foi o carisma da IAM, o cuidado e a atenção às necessidades além-fronteiras, observadas nas cores dos cinco continentes.

Protagonismo
Mas como crianças podem desde cedo olhar para a vastidão do mundo com tamanha maturidade? Dom Carlos propôs a Paulina Jaricot, responsável pelo início da Propagação da Fé, outra Obra Missionária, a ideia de incentivar as crianças da França a recitar uma Ave-Maria por dia e doar uma moeda por mês para auxiliar crianças necessitadas de todo o mundo. Era a primeira vez na história que a Igreja confiava às crianças um papel missionário específico: salvar inocentes, para fazer delas pequenos discípulos missionários. O trabalho continua. No ano passado, as POM do Brasil arrecadaram com os cofrinhos missionários, espalhado por todo o país, mais de 10 mil reais, enviados para ajudar as crianças mais necessitadas em todo o mundo.

O "Encontro Semanal" entrevistou o secretário nacional da IAM, padre André Luiz de Negreiros, que destacou a importância da Obra para a dimensão missionária. “É a menina dos olhos, pois essas crianças e adolescentes assumirão futuramente a sua vocação missionária nas comunidades e além-fronteiras”.

Na Arquidiocese de Goiânia, a Infância Missionária está presente há 22 anos e atua hoje, em 15 paróquias, com 35 grupos e conta com 350 crianças e adolescentes missionários. “Nosso maior desafio é conseguir pessoas que se comprometam com esse importante trabalho”, diz a coordenadora arquidiocesana, Edna Moreira de Carvalho. Ao comentar sobre a identidade da criança missionária, ela não economiza palavras. “Você conhece de cara a criança da Infância e Adolescência Missionária porque é um ser especial, diferente, comprometida com o próximo, atenta aos problemas do mundo, estudiosa e educada, que respeita os colegas, os mais velhos e a natureza”. São João Paulo II também via o potencial da IAM. “É o fruto novo no coração da Igreja. Já no presente as crianças e adolescentes dão sinais de que podem também construir um mundo melhor”.

Testemunhos
Mariana Faleiro, 10 anos, da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, da Vila Nova, participa da IAM há três anos. Apesar da pouca idade, ela demonstra maturidade e revela o seu amor pelas missões e pelas crianças do mundo inteiro. “Eu amo a Infância Missionária porque se preocupa com as crianças abandonadas, fora da escola e nas ruas; se eu pudesse, todas participavam dessa Obra maravilhosa e todas as paróquias teriam grupos”. Quando adulta, ela já sabe o que vai ser. “Estilista e missionária; quero poder ir a outros países, conviver com pessoas que sofrem e ajudá-las”.

Com 14 anos, Mariana Souza, já tem mais de quatro anos na Infância e Adolescência Missionária, caminhada que ela vê como fundamental para a sua vida cristã. “Eu aprendi a me comunicar, a respeitar o próximo e a me dedicar mais aos estudos”, conta. Os sofrimentos do mundo também a preocupam “É muito triste ver tantas crianças sofrendo no mundo, por isso eu ajudo com o cofrinho, partilhando o que eu tenho com os mais necessitados”.

Padre André acredita no protagonismo missionário a partir dos primeiros anos de vida, mas ele ressalta que a Igreja precisa conhecer mais a Infância e Adolescência Missionária. “A Igreja precisa conhecer a IAM e os demais trabalhos infantis, pois as crianças carregam uma responsabilidade muito grande também na evangelização; infelizmente as crianças e adolescentes são vistos como ‘enfeites’ de missas, procissões ou eventos e não como missionários que atuam nas bases”. No Brasil, a Obra está presente em todos os estados, com 30 mil grupos e 700 mil crianças e adolescentes envolvidos.

Programa de Vida
1 – Tornar Jesus conhecido e amado
2 – Colocar-se à disposição de todos com alegria
3 – Repartir os nossos bens com os que não têm, mesmo à custa de sacrifícios
4 – Rezar todos os dias pelas crianças e adolescentes do mundo inteiro
5 – Louvar a agradecer a Deus pelos dons recebidos
6 – Manter-se bem informado sobre os acontecimentos que envolvem as pessoas em todos os continentes
7 – Reconhecer o que é bom na vida e cultura dos outros povos, respeitando-os e valorizando-os
8 – Ser bem comportado e responsável em casa, na escola, na comunidade, evangelizando com o exemplo da própria vida
9 – Nunca desanimar diante das dificuldades
10 – Tornar Nossa Senhora, mãe de todos os povos, conhecida e amada

Fúlvio Costa
Jornalista responsável pelo Jornal Encontro Semanal, da Arquidiocese de Goiânia, e assessor de comunicação do Regional Centro-Oeste (Goiás e Distrito Federal), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

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