#GotasMissionárias: Infância violada


Nesta semana, vamos falar de um problema grave que - segundo o Ministério da Justiça - atinge 16,88% dos municípios brasileiros, e que é, mais uma vez, colocado em foco no blog da Garotada Missionária. Trata-se da prostituição infantil, expressão erroneamente utilizada porque não é a criança que se prostitui. Ela é prostituída por adultos, que abusam dela sexualmente.

Este estudo aponta que das 5.551 cidades pesquisadas, 937 carregam a triste marca da exploração sexual infantil. Deste total, a situação mais grave encontra-se na Região Nordeste com 31,8%, seguida da Sudeste com 25,7%, Região Sul 17,3%, Centro-Oeste 13,6% e Região Norte 11,6%. Sobre estes dados, destacam-se entre os estados São Paulo com 93 cidades citadas, Minas Gerais, com 92 e Pernambuco, com 70. São milhares de crianças e adolescentes tolhidos do direito de estudar, impedidos de brincar, pular, correr e viver este período da vida.

Constantemente, vemos reportagens nos meios de comunicação que apresentam inúmeras situações de exploração sexual de crianças e adolescentes, graças às denúncias anônimas. Consideradas em muitos casos como peças-chave, estas denúncias tornaram-se um diferencial em nossos dias. Não podemos mais silenciar diante desta realidade de exploração sexual das nossas crianças e adolescentes. Faz-se necessário a denúncia, bem como a atuação junto aos Conselhos Tutelares (inexistentes em muitos dos municípios pesquisados), participando e cobrando uma maior presença junto às crianças e adolescentes em situação de risco.

Há indícios de ações conjuntas dos vários programas sociais, como o Bolsa-Família, por exemplo, visando a prevenção e uma maior atenção às vítimas de crimes sexuais. As dificuldades em cortar este mal pela raiz são a impunidade, a pobreza e a consequente desigualdade social.

No tempo de Jesus, a sociedade também se baseava na riqueza e no poder, e de que lado Ele estava? Jesus se identificava com os pobres e marginalizados da sua época, propondo hoje uma atitude diferente com todas as vítimas de exploração (cf. Mt 25, 41-46). Como missionárias e missionários, somos chamados a agir em favor destes pequeninos, acolhendo-os com amor e solidariedade, defendendo-os e protegendo-os com justiça e igualdade. Jesus caminha conosco e nos encoraja a perseverar: "Vocês são o sal da terra. Ora, se o sal perde o gosto, com que poderemos salgar? [...] Vocês são a luz do mundo" (Mt 5, 13a-14a). No segundo compromisso da Criança Missionária vemos que a "criança missionária coloca-se à disposição de todos com alegria", dessa maneira nos tornamos amigos de Jesus.

De todas as crianças do mundo, sempre amigos!

Roseane de Araújo Silva
Missionária leiga e pedagoga da Rede Público do Paraná.

Sugestão para o grupo
- Acolhida
- Motivação (objetivo): refletir sobre a realidade perversa da prostituição infantil, uma marca profunda junto às crianças e adolescentes da nossa sociedade.
- Oração: Rezemos ao Deus da Vida por todas as crianças e adolescentes que, desde cedo, são forçados a vender o próprio corpo em razão da desigualdade social que vivemos. Que Deus oriente este nosso encontro e as nossas reflexões.
- Partilha dos compromissos semanais.
- Leitura da Palavra de Deus: Evangelho de Marcos 9, 33-37
- Compromissos missionários: Depois de atravessar a Galileia com os seus discípulos, Jesus percebe uma dúvida entre eles: saber quem é maior. Ele nos convida a servir aos nossos irmãos e esse é um caminho diferente para todos nós. Ser aquele ou aquela que serve os demais, sem hesitar. Como poderemos acolher as crianças e adolescentes vítimas de exploração sexual ou outros crimes sexuais? Em sua cidade funciona o Conselho Tutelar? Convidem um conselheiro tutelar do seu bairro para uma conversa com o grupo, esclarecendo as ações que são feitas junto às crianças e adolescentes vítimas de exploração sexual, se existe parcerias, etc. Organizar com os novos amigos uma tarde de atividades recreativas. Vamos começar e tornar este mundo diferente?
- Momento de agradecimento ao Deus Pai Criador pela presença em nossas vidas e na vida das crianças e adolescentes deste continente.
- Canto e despedida.

FONTE: Revista Missões - Abril 2007

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